segunda-feira, 22 de junho de 2009

a menina

toda aquela limpeza da casa da amiga a incomodava, nunca havia se dado conta como tinha nojo de tanta organização. nunca tão claramente. já sabia não suportar sujeitos perfeitos. já suspeitava não ter vocação nem para o bem nem para o mal. por isso se sentia perdida em si mesma, na cama. quem olhava nos seus olhos poderiam dizer que ela não existia, tinha um quê de desesperança às vezes. não era nem boa, nem má, nem atéia, nem cristã. era ela somente.
quando perdia o sono assim, pensava e pensava. eles surgiam com tamanha força e velocidade que ela apertava os olhos para não perdê-los, era sim, era para não perdê-los. a menina era de touro, como havia sido todos seus amores. atormentava-se com a idéia de que talvez não tenha sido o amor de nenhum deles, amou de graça.
estava sozinha, nunca foi de ser sentir usada e às vezes até sentia que era pra ser daquele jeito mesmo... uma, metade. ela era ótima, mas não era achada.
ela era perdida, e sua alma inquieta, ela ria, chorava, interpretava, transparecia, transava com qualquer um que lhe desse amor, ela ficava alguns sábados em casa enquanto o mundo existia.
ela gostava de ser diferente, mesmo que fosse um pouco pra pior, sei lá... se pior existir. às vezes ela queria ser sozinha mesmo, às vezes gostava de sofrer, achava bonito, achava poético...

adormeceu num quarto bagunçado, num apartamento lá pelo meio do país... durmiu um sono perturbador, pela manhã um café meio frio... seguiu ouvindo Damien Rice e pelo meio do caminho descobriu que precisava ir embora daquele lugar.

domingo, 14 de junho de 2009

abril e maio do ano passado

hoje eu perdi as chaves de casa... mas o que mais me incomodou não foi isso, foi o jeito que não deixei de pensar em você um instante sequer. fiz sexo com outra pessoa, e foi do amor feito na sua cama que me lembrei. eu nunca me canso de ser sua, e não quero me cansar.
o seu All Star preto jogado num canto qualquer da sua casa de infância, o seu terno verde, aquele que eu gosto, cansado de não ser usado, a música escutada no seu quarto me lembram abril e maio do ano passado.
se você volta, eu juro que vou ser sua para sempre. só espero você pedir.
foi o seu jeito estranho de me amar e me surpreender, a sua mania de ser tão perfeito que me viciou em você.
eu queria ter te visto mais, falado mais sobre nossos cantores preferidos, sobre o que temos de igual.
eu queria que o tempo voasse. que você aparecesse, abrisse a porta... a barba já crescida, o All Star preto nos pés, o terno verde no carro, e me dissesse que A hora chegou.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

assim são meus domingos

eu sei ser tanta gente que chego a me assustar... domingo, vulcão de angústia, dia de sol, dia de chuva, aí vem trovão... sei lá que é isso, neblina, inconstância, montanha de nada, um tempo sem ser. um dia sou eu, outro, ninguém. minha dor acumulada, presa, não quer sair... vem de não sei onde, desse nada que sou, desse ninguém no mundo. destino cruel esse do homem, não saber sua dor, não saber a dor do outro. não ter escolhas que não seguir adiante, o mundo é como deveria ser... desculpa minha para aceitar as desgraças, as dores, exatamente como elas me chegam, me rasgam...
me sou tão indefinida. é estranho ser gente, é estranho querer, é estranho ser...
eu sei ser tanto, que não quero ser mais nada...

segunda-feira, 25 de maio de 2009

. pai

essa noite sonhei com o pai.
sonhei que a maré nos trazia chocolates e outras coisas bonitas.

vale a pena sonhar. (...)
eu sei.

estou a fim de transbordar essa noite.

là pela noite, e em horas preguiçosas, percebo umas náuseas odiosas... sinto algo que remexe, que percorre de um lado a outro, um vazio que transborda as bordas da alma, e que não faz sinal de parar. se fecho os olhos, e os ponho em direção à luz, uma esquisitice toda dentro de mim teima em sorver, mas não sorve... quando páiro, depois de todos os corpos já terem alcançado a quase inércia habitual, me sinto tão gigante, presa em um recipiente de paredes fortes, que insiste em resistir aos empurrões das moléculas de algo que habita em mim, inominável até que eu saiba de onde vem... se abaixam as cortinas, viajando por aí, me tranformo em criança, que deseja falar e ver mais do que aquilo que a permitem. meu corpo sabe, minha pele sente, minha mente toca as diversas silhuetas que as palavras vem formando em meu corpo. são como vitaminas, de abacate, de palavras e lixo, desejo tomá-las... de tanto desejo, quem sabe as paredes serão derubadas, as janelas serão abertas, e a mágica fará da vida um livro para contar. um livro legal.

domingo, 8 de março de 2009


estou perdida.
te espero às 3.

sábado, 8 de novembro de 2008

companhia...

eu só queria uma companhia e sexo. ele disse - senta aí vamos conversar! não, ele não disse isso, sou eu que às vezes vejo o que quero. sentei, o chão estava gelado, só percebi agora como o chão estava gelado. eu só queria alguém pra conversar. foi isso que ele disse também.

eu não devia ficar dizendo essas coisa, mas tenho uma mania, apelidada pelos mais afogados de idiotice, que eu só acho que seja uma válvula de escape. mas é na verdade um jeito de dar destino pra todas essas merdas que acontece com a gente na vida. não serve pra nada falar disso, mas já é um movimento.

ele disse que estava cansado. eu disse que não agüentava mais tanta superficialidade. mas ninguém nunca vê o que o outro tem na alma. é difícil entender essa baderna toda arrumadinha dentro de cada gente. eu queria um antídoto contra toda essa superficialidade. onde estão as pessoas? eu conheço poucas, e olha que tenho milhares na minha listinha toda bonitinha. gosto quando elas, pessoas de todas as espécies, não se dão o trabalho de se maquiar. gosto delas em carne crua.

ele disse que cansou. será que isso é uma espécie de código para - quero sexo agora? a gente tinha pouco tempo pra falar, o mundo sempre ao redor, o mundo, que não permite os desvios, o mundo tem horas. é uma idiotice. todo mundo ao redor. ele foi só um cara que conheci há pouco tempo.

eu disse que era careta. ele, que lágrimas nunca foram motivo de morte. parece que ele sabe de tudo. não sabe de merda nenhuma. só sabe fazer o beck dele e me olhar com cara de quem anda sofrendo uma conspiração. tudo isso nessa semana.

hoje, na escada rolante do shopping eu virei pra amiga e perguntei pra que serve a existência. ela não serve. mas eu gosto dela mesmo assim. as coisas não precisam servir, só existir.

ele disse - você é diferente, eu não sou qualquer um. ele disse – eu amo alguém. bateu umas palavrinhas no liquidificador e disse, que queria tentar novamente.

pra que serve a existência? - perguntei pra minha amiga.

pra quê serve dizer que o que aconteceu não deveria ter acontecido?
dá para entender pra que tanta superficialidade?